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My voice is gone for screaming and my body aches from giving them hell
Uma semana depois – semana esta que passou muito rapidamente, por sinal – depois de assimilar completamente tudo que aconteceu, é hora de relatar fatos. Não que algo absurdamente extraordinário tenha acontecido, nem nada que não era esperado, mas sempre é bom registrar os resultados de coisas que causaram grandes expectativas. Tentarei não ser descritiva demais, mas provavelmente acabarei falhando. Sinta-se livres para pular partes (caso alguém realmente esteja lendo isso, o que eu duvido que aconteça).
Duas semanas atrás eu estava certa de que tudo passaria muito rapidamente e provavelmente bem longe de mim (já que depois daquela visão em sonho da fila minhas esperanças de grade se esvaíram), até que surgiu a possibilidade, à partir de desesperos alheios, da quarta feira. E com isso tudo mudou. Porque quem se importa se tudo aconteceria longe e de forma rápida, sendo em dobro? Eu certamente não. E fiquei bem mais feliz e menos desesperada diante dessa situação.
Quarta feira. Tudo bem, eu posso viver minha vida normalmente de manhã e entrar em modo espera de tarde. Sem problemas. Amanhã tem mais mesmo.. E por muita sorte e um bom amigo conseguimos um lugar consideravelmente bom na fila, principalmente pra quem chegou de tarde. Tarde esta de frio, garoa e com poucos casacos. Antecipações leves. Era tudo parte da preparação pra quinta feira, mesmo.. Quase um ensaio. Um ensaio caro, superlotado e perfeito, em que tudo seria testado para o dia seguinte, o oficialmente primeiro e oficialmente esgotado.
Adiantando algumas horas no tempo e vários metros no espaço, conseguimos um lugar bem legal lá dentro. Pra baixo do primeiro degrau, mais ou menos no meio. Nem parecia bom, até que começamos a ver as pessoas que só conseguiram ficar lá no fundo. Mudar o ponto de vista sempre ajuda a melhorar a auto estima. Então precisamos aguentar por muito tempo (não sei se chegou a meia hora, mas a sensação foi de pelo menos cinco inteiras) o breakout destruindo músicas alheias e chorando com as suas próprias. Terceira vez que eu os vejo ao vivo, no dia seguinte seria a quarta. Não recomendo pra ninguém isso. Mesmo.
Depois deles finalmente sairem do palco e do cartaz idiota descer, os técnicos da banda de verdade entraram em cena. “Olha, não é o Neil?”. “Onde? O___O! Neil! É o Neil! NEIL!!!”. Sim, eu fiquei tão absurdamente feliz de ver o Neil que comecei a gritar. Sozinha, porque aparentemente só existiam posers e fãs mal educadas lá dentro, ninguém capaz de reconhecer uma das pessoas mais legais do mundo – ou pelo menos o cara que apresentou o Brasil pro McFly, que fez eles gravarem um vídeo pra gente e que era super atencioso sempre, com todo mundo. Quanta consideração.. Se não fosse pelo Neil o McFly nem teria idéia que existem fãs aqui, muito menos que teria público pra lotar quatro shows nesse país. País idiota habitado por selvagens. Bela imagem que eles tem daqui agora.. Mas só seria realmente bom e civilizado se eles tivessem vindo há uns dois anos, pelo menos, quando não havia posers idiotas nem selvagens, só fãs civilizadas, educadas e felizes. Saudades das 50 pessoas do primeiro meeting.
Mas enfim, voltando ao show (porque agora ele realmente começou). One for the radio, milhões de pulos e gente gritando. “Olha, o Danny. Hahahah.” Porque o Danny é tipo meu amigo, só que ele ainda não sabe disso. Assim como o Harry, o Tom e o Dougie. E todas as vezes que eu os via no palco tocando e cantando e pulando e tentando falar (porque o som tava horrível e não dava pra entender nada) eu tinha esse sentimento familiar, de pessoas que eu conheço bem e vejo sempre. Só que eles não me conhecem. Ainda, pelo menos. Eu era só mais uma pessoa cantando e pulando, que bizarramente os conhece e vive num lugar selvagem do outro lado do mundo. yey.
E foi meio que isso o resto do show. Danny master bravo e querendo acabar aquilo logo, Tom como a educação em pessoa (com o cabelo mais lindo do universo) sendo super civilizado, Judd fazendo várias caras engraçadas e sendo absolutamente sexy na bateria e o Poynter pulando por aí, sincronizadamente comigo, com sua faixa no cabelo e seu baixo brilhoso rosa que acende (que eu só realmente vi no dia seguinte). No meio de Transylvania minha querida gêmea atrasada me fez o favor de esquecer de respirar, acumular emoções e passar mal, levando a gente dois lances de degraus pra trás. Mas tudo bem, dali eu enxergava todo mundo. O problema foi eu tentar tirar fotos. Simplesmente não dá. Não possuo essa capacidade de me concentrar e divertir e apertar botões e cantar e pular ao mesmo tempo. Mas ainda tinha o show de quinta, então tudo bem.
Vamos acelerar o tempo até quinta feira. Chegamos na fila as 7h e pegamos um lugar mais pra trás que no dia anterior. uhu. Mas eu meio que já sabia disso, só tinha ainda alguma esperança da minha visão estar errada. Não estava (o que por um lado é super bom, já que mostrar que as vezes eu realmente posso prever o futuro). Tudo bem, só mais doze horas de fila e poderiamos pular e cantar com o McFly de novo (note que “de novo” traz uma importância tão enorme que não tem como ser descrita). Frio absurdo. Eles realmente tiveram o azar de não pegar um solzinho que fosse por aqui, país de sol, praia, carnaval e fãs selvagens. Pelo menos estávamos protegidas por uma árvore e com uma mureta-banquinho à nossa disposição. Por 12 horas. Pessoas legais para conversar, planos de ordem (de acordo com o ensaio anterior), tensões e dramas com furadores de fila. Nosso lado do quarteirão era o revolucionário e o nosso grupo o mais ativista ali no meio (exceto talvez pela “tia da fila”, lá na frente).
Organizações preparadas, corrente formada, correrias e tropeções a cada movimentação da fila. Mas deu certo, porque pelo menos até o nosso pedaço ninguém furou a fila (também, se tentasse morreria, devido ao nível de stress gerado por doze horas de frio e ansiedade). Pegamos lugares um pouco piores, no primeiro degrau, mas tudo bem. Só que aguentar o breakout de novo foi BEM mais difícil. Porque além deles tocarem super mal e estragarem músicas alheias eles usaram o mesmo texto e movimentos decorados, provavelmente para os quatro shows. E o menino gêmeo da ponta ainda pegou outra menina. Tipo, como assim?! Porque ninguém tinha entendido muito bem na quarta, mas todo mundo supôs que fosse um número com a namorada que queria aparecer, não que ele só queria pegar alguém no palco pra aparecer. Alguém diferente em cada show. Poderia ser mais patético? ¬¬. E por isso eu acho que eles serão todos internados em uma instituição mental daqui a uns anos, se continuarem se achando tanto assim. Ainda mais se as pessoas continuarem dando incentivo pra coisas desse tipo..
Quando o Neil subiu no palco – de novo – as pessoas continuaram apáticas, gritando suas aleatoriedades e não mostrando qualquer tipo de gratidão. Senti vergonha. Muita. E gritei sozinha, porque no meio dos 6000 gritos que ele escutaria de qualquer jeito havia, pelo menos um, agradecendo por tudo e mostrando algum apreço. Que país infernal que eu vivo, por Merlim. Pelo menos dessa vez, quando a minha (outra) companhia passou mal, o show ainda não tinha começado e as pessoas ajudaram. Com água e chocolatinho ainda. Muito obrigada a quem nos ajudou, estejam vocês lendo isso ou não.
E vamos lá outra vez. One for the radio, take dois. Eu já sabia o que esperar e em qual ordem, inclusive, o que acalmou demais a ansiedade. Todos estavam felizinhos dessa vez e o som bem melhor, então a noite anterior realmente serviu pra alguma coisa (pro via funchal arrumar coisas, pelo menos, e os fãs se divertirem). E eu consegui ver bem mais o Tom (de verde também é bem mais fácil achar alguém num palco escuro) e o Dougie. E vi o licking acontecendo no palco e a cara do Danny depois no telão. E só isso já valeu todas as horas de espera e frio e nervoso. E eu vi o baixo rosa brilhoso que acende e fiquei MUITO feliz. E reparei nos bicos que o Harry faz quando toca. E acompanhei o cabelo lindo maravilhoso do Tom começar a ficar molhado e grudento. E pulei sincronizadamente com os três que pulam, sem pausas por pessoas passando mal ou pra tirar fotos. E foi realmente muito, muito bom, principalmente pelos efeitos somados da noite anterior.
Depois que acabou, enquanto esperávamos a multidão dissipar, um grupinho de pessoas cai no chão do nosso lado, brigando com todas as forças pela baqueta do Harry. Ok, se não fosse uma grande besteira e eu não soubesse que um dia ainda vou conseguir a minha própria (e com a boxer), eu teria entrado na briga também. Mas não entrei e sobrevivi. Então quando estávamos saindo alguém bate em mim desesperadamente, apressado pra sair (já que com o super zumbido nos ouvidos ninguém vai ouvir um pedido de licensa mesmo, o melhor é cutucar a pessoa tampando o caminho – no caso eu). O menino me ultrapassou e parou, na virada da escada, praticamente morrendo tentando respirar. Então eu vejo o que ele tinha nas mãos, a mesma coisa que usou pra me bater e pedir licensa.. a baqueta do Harry! OMG! De uma forma muito estranha acabamos nos tocando. Eu e o Harry. hahah. s2.
E foi basicamente isso que aconteceu na outra semana, o que eu estive esperando nos últimos três anos e meio. Não, eu não roubei a baqueta do menino (porque eu ainda vou conseguir a minha própria, dada em mãos. E porque ele foi mais rápido, escondendo a baqueta e correndo pra longe assim que conseguiu respirar). Mas eu me diverti muito e tudo acabou valendo a pena. Agora é esperar que os lucros tenham sido bons e eles resolvam voltar ano que vem, e também que eu ganhe muito dinheiro e vá pro Reino Unido o quanto antes pra assistir um show civilizado, na grade e com meet and greet depois.
1 comment Outubro 18, 2008

