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(minimamente) Sobre hipercontextos
Estou juntando coragem para começar o blog que tinha planejado (sobre hipercontextos, que seria meu trabalho prático do semestre encerrado), mas desde que resolvi fazê-lo não encontro algo que possa servir. Pensando nisso, na minha vontade de escrever, nas pesquisas recém- realizadas e no wordpress aberto, resolvi começar o assunto aqui, direcionando para o lado que melhor conheço.
Hipercontextos seriam ampliações de conteúdos originalmente específicos de um meio (por exemplo um filme – e somente o filme neste caso) para agrupamentos em rede, envolvendo o compartilhamento de informações e diferentes contextos envolvendo o produto inicial (ou seja, o site do filme, a comunidade de fãs desse filme, etc). Com isso um produto pode ser enriquecido absurdamente, conforme derivados surgem, crescem, multiplicam-se e a eles são incorporados novos criadores, principalmente aqueles que criaram laços com o original - os fãs.
Os fãs são os principais motivadores dessas redes de conteúdos, que podem seguir direções distintas apesar de terem um mesmo início comum. São eles que levarão assuntos a diante, buscarão detalhes e desenvolverão questões acerca do conteúdo iniciado com o produto original. Através de gostos e formas de pensamento formarão grupos distintos, por vezes encontrando rivais e iniciando batalhas. Através de facilidades e afinidades expandirão mundos, criarão boatos, teorias e tornarão essas mesmas coisas físicas, palpáveis. Com a internet fandoms desenvolvem-se mais facilmente, mas nenhum deles encontra-se somente nela. E expandindo para uma realidade além da completamente ficcional, universos são transpostos e adaptados ao possível.
É isso que me fascinou completamente quando li sobre hipercontextos. Uma coisa não é simplesmente aquela coisa e pronto, ela pode ser tudo e nada, e só depende daqueles sobre os quais ela terá algum tipo de efeito. Potencialidade, colaboração e riqueza. Ad infinitum. E o fato de eu estar completamente imersa nesse tipo de realidade somente aumenta minha necessidade de estar cada vez mais imersa e fascinada. Porque todas as vezes que eu disse que meus livros favoritos eram Harry Potter’s, faltava alguma coisa que eu não sabia como completar. Harry Potter é meu mundo favorito para imergir e imaginar, inventar, abstrair, raciocinar, escrever, conversar. Não se trata apenas dos livros e sim das discussões, fics, teorias, jogos, relacionamentos que os livros trouxeram até mim (e garanto que não sou a única nessa situação). De melhores amigos a ítens favoritos, tudo tem uma relação original na minha vida. E poucas coisas não me remetem a Harry Potter. Aliás, nada que eu consiga lembrar agora não tem algum tipo de relação com isso ou com outros universos hipercontextuais em que vivo imersa constantemente.
Não tem nada mais divertido que ser fã e encontrar outros fãs em ambientes completamente próprios para desenvolver assuntos comuns e relacionados, livre de qualquer preconceito ou falta de entendimento. E quanto mais assumidamente, melhor; quanto mais todos estiverem imersos, mais divertido; quanto mais livremente, mais empolgante. Se possível envolvendo cosplays, interpretação, quizes, spoilers possíveis, muito canon, fanon e conversas com vocabulários próprios. Porque diversões nerds são as melhores s2.
Add comment Dezembro 23, 2007
