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It won’t be long yeah, yeah

Eu nasci na época errada. Isso é fato comprovado cientificamente e tudo, mas como ainda não inventaram uma forma eficiente de transporte pelo tempo/espaço, acabei me adaptando consideravelmente bem para viver aqui. Acontece que de vez em quando sou acometida por surtos de necessidade de tempo certo, desesperadamente precisando de algo que me atravessa, do espectro de uma época que ecoa através de todo o meu ser e ainda assim não posso tocar. E assim, sem saber o que fazer ou conseguir raciocinar completamente, imagino que talvez não seja a única presa no momento errado. E se existem pessoas como eu espalhadas pelo tempo/espaço deve haver um jeito de consertar tudo.

Ok, isso tudo deve parecer uma grande maluquice, visto de fora. Vou tentar explicar melhor. Imagine que você precisa de uma música. Não existe jeito de tocá-la, apesar de senti-la ecoando por seu corpo e alma, atravessando o possível e o apenas imaginável, promovendo sensações e provocando reações imateriais. Imagine que seu corpo está tão cheio de possibilidades que cada vez que você escuta essa música tudo parece querer explodir. E tudo seria tão melhor se realmente explodisse e completasse o mundo a sua volta… Mas para isso seria preciso tocá-la, e ela é apenas som. Imaterial, impalpável, invisível.

Agora imagine que não é apenas uma música, mas um milhão delas. E cores, formas, estampas, roupas, imagens, pessoas, ideologias, costumes, sensações, sentimentos, luzes, ações, descobertas, fatos. E por isso eu sei que pertenço a outra época, uma muito mais colorida, inspirada e cheia de acontecimentos que essa. Porque todos os estados de espírito dos anos 60 correm em meu corpo, mente e alma. Sempre. Juntos ou separados, combinados ou solitários. E potencialmente eu tenho tudo dentro de mim, tudo que sempre quis viver e sentir, explorar, colorir. Eu só preciso de algo que me faça despertar, algo que valha a pena, algo que eu possa tocar e sentir. Algo que liberte nessa época o espírito de uma já passada.

Se eu voltasse no tempo tudo seria muito mais simples, alegre e psicodélico. Eu moraria numa comunidade hippie, espalharia cores e viveria o amor livre. E ainda por cima veria os Beatles tocando ao vivo. Porque  em outro tempo/espaço tudo é uma possibilidade.

Add comment Julho 12, 2008

Forçando palavras

Eu acho engraçado como toda vez que eu abro isso pra escrever eu fico meio o_O e acabo fechando a janela antes de alguma idéia surgir (porque para qualquer besteira eu uso o fotolog, para coisas mais elaboradas ou com um mínimo de noção ou com tamanhos maiores, eu uso aqui). Hoje eu decidi ter alguma coisa escrita e postada quando fechar a janela, para mudar um pouco.

Há algum tempo eu tive uma crise séria de falta de ânimo. Acredito que o pior dela já passou, apesar de nunca ter conseguido voltar ao normal. Isso porque normal é algo relativo e dificilmente uma pessoa consegue voltar ao que era após passar por mudanças – não acho que seja realmente saudável isso, então fico contente com mudanças assim. O problema (que talvez não seja um problema, dependendo do referencial) é que meus níveis de alegria aleatória, empolgação e ultra-felicidade com coisas diversas caíram drasticamente comparados ao padrão alto antigo. Um nível médio é o máximo atingido ultimamente, e só com uma grande dose de ironia adicionada ao objeto em questão. E dessa forma, mesmo estando fisicamente saudável, não consigo me considerar feliz por mais de algumas horas semanais ou mensais. Não feliz bem, mas feliz feliiiiz. Muito feliz eu nunca mais me senti, exceto uma ou duas vezes desde julho passado.

A culpa disso? Gostaria de ter um culpado direto e único, para reclamar dele apenas, mas não tenho. Vários fatores podem ser considerados responsáveis em partes. A depressão pós Harry Potter iniciou tudo, mas eu não posso culpar HP quando todos os meus momentos felizes feliiizes dos últimos 8 anos foram causados, mesmo que indiretamente, por isso (e por isso entenda pela obra como um todo, ou melhor, o hipercontexto da obra). O 4º semestre da faculdade trouxe o maior índice apontável de culpados, incluindo uma corpórea que ainda me persegue (para me proteger de eventuais retaliações não citarei nomes, afinal estamos falando de uma seguidora do ecad) e uma incorpórea que insiste em me aborrecer: a falta de perspectiva, que junto com a falta de motivação e a insegurança não me deixa fazer nada que possa, o mais remotamente possível, me ajudar a atingir a  felicidade plena.

OK, mas por que eu resolvi falar disso? Porque uma das coisas que eu ando evitando fazer (desde julho, aproximadamente, talvez antes) é escrever. Escrever qualquer tipo de coisa própria que me faça bem, mais especificamente. E como a obrigação me força a escrever coisas, por menos vontade que eu tenha, percebi que esse medo/ incerteza/ falta de vontade acaba dando uma trégua quando é forçado. Por isso resolvi forçar também coisas não desagradáveis (mas nem por isso muito agradáveis) de escrever, sejam elas o que forem, esperando quebrar um bloqueio antigo e passar a produzir utilidades, por mais inúteis que sejam. As fics são minha meta principal: arrancar idéias maduras e transformá-las em bem público (porque eu sou a favor do respeito pelo que os outros inventam, mas também da assimilação alheia e possível apropriação do conhecimento para coisas outras).

Concluindo, esse post serviu para aliviar minha mente de algumas idéias, passá-las para o bem público (se é que podem fazer algum bem) e forçar minha habilidade de escrita. Quem sabe acaba funcionando… Obrigada pela paciência.

1 comment Abril 19, 2008


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