Harry Potter and the Deathly Hallows – part 1
novembro 21, 2010 at 5:52 pm Deixe um comentário
Não é nenhum segredo o quanto eu sempre abominei as adaptações de Harry Potter para o cinema. Com todos os problemas e erros vindos lá do início, do casting das crianças às distorções e adaptações precárias da história, a cada ano vemos mais um filme destruir partes fundamentais desses livros tão imensamente ricos em detalhes e idéias, o que para os fãs mais obcecados por isso (como eu), não poderia ser pior.
No último ano, no entanto, quando assisti Half Blood Prince, pela primeira vez não saí desapontada do cinema. É claro que o filme está longe de ser incrível e existem muitas falhas na adaptação, mas dessa vez passou. Talvez fosse porque minhas expectativas estavam extremamente baixas, mas fiquei feliz ao encontrar tantos detalhes perdidos que, para aqueles que têm as páginas descritas tão claramente em seu cérebro, certamente trouxeram um punhado de sorrisos surpresos.
E nesta semana que passou, com a estréia da primeira parte da última adaptação da série para as telas chegando, senti novamente uma ansiedade que há muito não tinha: a ansiedade da fila do cinema, de discutir a ordem das coisas e me empolgar para ver por outro ponto de vista algo que já conheço tão bem. Parte dessa ansiedade veio por David Yates continuar dirigindo a série e da possibilidade de, quem sabe, nos presentear outra vez com mais detalhes sorridentes. E eu estava certa.
Pela primeira vez nesses meus 10 anos de Harry Potter (e quase o mesmo tempo de adaptações) eu sorri do início ao fim, satisfeita com o que estava vendo. Para tudo existe uma primeira vez, não é mesmo? Eu achava que para isso não havia mais chance, mas eles acertaram. Na véspera do fim, eles acertaram. Quase em cheio.
Está tudo ali: os conflitos, os lugares, a tensão, a raiva, o medo. As cenas na Mansão Malfoy estão incrivelmente próximas das descritas (apesar da falta dos pavões albinos, da aparência lastimável de Narcissa e da cena no porão – ou melhor, câmara secreta sob as escadas da qual o ministério não tem conhecimento). Quase não coube de felicidade ao ouvir aquele “Nagini, dinner”.Sim, eles conseguiram. Pela primeira vez na história das adaptações Potterianas para o cinema aquilo que nós lemos está na tela, vivo. Não nos mínimos detalhes, mas suficientemente.
David Yates é muito bom em retratar o núcleo dos personagens centrais como seres humanos, dotados de sentimentos e personalidades. Harry, Ron e Hermione estão mais vivos, mais reais e poderiam muito bem ter saído de uma temporada de Skins (numa versão mais nerd e sem drogas).Os conflitos funcionam e a história flui, porém a magia existe apenas como ferramenta, e é nisso que ele falha.
Harry Potter é uma história humana, mas acima de tudo é uma história mágica. Foi a magia que nos conquistou quando lemos pela primeira vez e para muitos é o mundo mágico que segura a trama tão bem. Para Yates, no entanto, a magia só aparece quando necessária e como alívio cômico de vez em quando. Isso gera outro problema, uma vez que metade da história está no entendimento do contexto mágico da série: Tom Riddle e os Horcruxes, Dumbledore, Grindelwald e as Deathly Hallows. Todas as histórias de fundo, necessárias para explicar a parte mágica, acabam ficando de lado ou sendo mal contadas, jogadas aleatoriamente. Nem tudo pode ser perfeito.
Até hoje o único filme que conseguiu trabalhar esse histórico mágico de uma forma brilhante foi Chamber of Secrets, do Chris Columbus. Coincidentemente segundo filme do diretor na série, após uma primeira adaptação não tão boa assim. Talvez o problema desta franquia seja realmente a troca constante de diretores (que só começam a acertar depois de um tempo com as mãos na massa), assim como a quantidade imensa de informação colocada em um tempo tão curto. Dividir um livro em dois filmes foi uma solução tardia (e basicamente de marketing), mas que poderia resolver facilmente boa parte dos problemas de adaptação se usada desde o início.
Tudo bem que eu sempre vou acreditar que a única forma de adaptar HP coerentemente seria em forma de uma série animada, com 22 episódios de 50 minutos para cada temporada/livro, sem contenção de descrições ou efeitos e escrita, dirigida e supervisionada pela mesma equipe do começo até o fim. Fica a dica, Warner. E eu super me ofereço para ajudar.
Mas é isso aí. Agora é esperar até o ano que vem para assistir a segunda metade de Deathly Hallows, que se seguir o padrão da primeira melhorado, tem tudo para ser o final perfeito numa uma série com poucos altos e muitos baixos.
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