in my life i love you more
abril 7, 2010 at 7:18 pm 1 comentário
Há algum tempo eu substituí esse blog por um caderno, no qual posso escrever livremente sem me preocupar com concordâncias, leitores ou enfim. Estamos muito felizes juntos, mas algumas coisas precisam ser compartilhadas com o mundo. Não com o mundo inteiro, obviamente, mas com alguém além de mim. E é por isso que estou aqui hoje.
Eu costumava ter muito medo de cachorro. Muito mesmo. De me pendurar no colo ou correr no meio da rua pra fugir. Até que um dia, não me lembro exatamente por que, resolvi que era hora de mudar. Comecei a andar na mesma calçada e a entrar com as próprias pernas na casa de quem tinha cachorro, algumas vezes até com eles soltos. Aos poucos fui superando o medo, apesar de sempre manter distâncias respeitosas de seres caninos.
Certa vez, quando meu medo estava mais controlado, fomos passar o fim de semana no sítio de um amigo de meu pai. Hoje não tenho idéia de quantos cachorros moravam lá, só que eram muitos e que me deixaram um tanto apavorada, até o momento em que encontrei um filhotinho fofo e mole. Eu e minha irmã passamos tanto tempo com ele que o amigo do meu pai resolveu procurar um pra nós.
Uma semana depois ele ligou. Num sítio próximo havia uma cachorrinha que estava sendo maltratada pelo caseiro e precisava de um lar. Ela não era mais filhote, mas sempre seria pequena.. E assim no sábado seguinte, dia 6 de junho de 1998, pouco antes de irmos pra festa junina da escola, ela chegou. Assustada e tremendo. Com uma dose de coragem que veio não sei de onde, fui a primeira a pegá-la no colo. Assustada e tremendo. Uma olhava pra outra com receio e curiosidade, incertas de como seriam suas vidas dali em diante. Eu tinha onze anos e nenhuma idéia de que acabara de conhecer minha melhor amiga do mundo, aquela de quem não me separaria jamais, meu amor da vida.
Tatá, foi como minha irmã resolveu chamá-la. Achei que o nome era bobo, mas enfim. Ela não tinha um nome antes e pareceu responder a este. Nós brincávamos sempre e ela nunca quis me morder. O melhor cachorro do mundo. Ficamos amigas rapidamente, quase sem perceber. Até que um dia, quando minha mãe saiu pra nos buscar na escola e a deixou no quintal, ela fugiu pelo buraco do tijolo, de tão magrinha que era.
Nunca senti tanto desespero em minha vida quanto quando voltei pra casa e ela não estava lá. Rezei, chorei, andei desesperada pelos cantos enquanto minha mãe procurava e perguntava na rua se alguém a tinha visto. Mais ou menos meia hora depois meu vizinho chegou, com ela no porta-malas do carro. Nunca me senti tão feliz quanto naquele momento em que a peguei novamente nos braços, beijei e esbravejei. Até então não tínhamos idéia de quanto havíamos ficado próximas, e com o passar do tempo passamos a integrar partes de um mesmo ser: não existe Ta sem a Na e nem Na sem a Ta.
Mas a vida não é um conto de fadas e nem todos vivem felizes por toda eternidade. E por mais que preferisse não pensar nisso, eu sempre soube que nosso tempo de vida juntas era limitado. Havia uma ponta de esperança, apesar de tudo, que me fazia acreditar que pelo menos acabaríamos juntas.. Mas nenhuma esperança poderia curar seu sopro ou congelar sua idade.
Sete semanas atrás seu coração parou de aguentar e desde então o meu tem trabalhado dobrado para continuar batendo. Perder uma parte de si dói, principalmente quando se trata da parte que fortalece o todo. Como Lyra e Pantalaimon a caminho do mundo dos mortos, mas sem Will.
E apesar da dor é preciso continuar, é preciso ser forte, é preciso viver. Porque a esperança persisite e de alguma forma em algum tempo e espaço estaremos juntas novamente, finalmente completas. Até então eu tentarei meu melhor, coletando novas histórias e lembranças para lhe contar, mesmo que seja difícil e dolorido viver aqui sozinha. Na e Ta, para sempre.
Entry filed under: aleatoriedades. Tags: amor, crescer, crises, tata, tempo/espaço.
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1.
beenwit | abril 7, 2010 às 8:37 pm
Eu sei como é.. :/